Hora Peninsular

As folhas das árvores são os antepassados do oxigénio

Posted by José em 24/06/2017

Os acidentes são uma filhadaputice da sorte. Dizer que todos os acidentes são evitáveis está ao alcance de poucos, apenas daqueles que exercem a virtude como virilidade. Não sofrer acidentes nem provocá-los é muito mais do que uma superioridade moral; é ser mais racional do que Deus. Sem relações de causa e efeito não haveria história, e isso é uma coisa que dá pânico. Como é que as coisas não vão estar todas ligadas se, desde tenra idade, isto é, há milhões de anos, nos dizem que tudo se rege por vínculos de causalidade? Determinar a causa de um acidente – tarefa apenas ao alcance de uns poucos, daí denominados especificamente de peritos – é restituir ordem ao mundo, encarreirá-lo numa linearidade filiar. Atribuir uma causa ao acaso é fundamental para que o destino não nos fuja das mãos. É tão fácil ser racional com umas frigorias a pastar-nos as ventas; o difícil é ser Newton com o fogo a entrar-nos pela cabeça.

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Nota de imprensa

Posted by José em 23/06/2017

É necessário entender a actual guerra cultural que se trava em Espanha para contextualizar o caso da utilização por parte do jornal El Mundo de um pseudónimo sob a forma de jornalista para opinar sobre o incêndio de Pedrógão Grande.

Os textos do dito Sebastião Pereira – em essência editoriais escritos na redacção de Madrid – não são para português ler; destinam-se ao espanhol médio, procurando ilustrá-lo sobre as calamidades bíblicas que se podem abater sobre grande parte do território peninsular se, em algum dia, no milenar reino de Espanha chegar ao poder um governo, já não se diga de esquerda – porque, segundo reza a lenda, Espanha também já os teve sob a forma de social-democracia -, mas apoiado pelas hordas marxistas e umas doidivanas trotskistas.

Os textos do dito Sebastião Pereira são pueris e não constituem sequer uma afronta à soberania portuguesa, se é que tal coisa existe; mas na guerra cultural vigente – onde o regime de 1978 saído da Transição se desmorona, um regime do qual El Mundo faz parte, junto com El Pais, ABC, La Razón e restante tralha – o desgraçado incêndio de Pedrógão Grande foi a janela de oportunidade encontrada por alguma direita espanhola – e aqui há que fazer um inciso: os fanáticos liberais do PSD ou os mui católicos do CDS/PP são uns meninos de coro se comparados com os bigorrilhas que povoam o PP espanhol -, repito, foi a oportunidade encontrada por certa direita espanhola para advertir dos perigos que pode supor um governo de esquerda em Espanha. Isto, num momento em que regressavam à impressa espanhola referências à possibilidade de um governo “à portuguesa” – sobre isto, ver um texto publicado no próprio El Mundo – desta vez por uma jornalista de carne e osso – ou o paradigmático Un Portugal Plurinacional do perspicaz Enric Juliana em La Vanguardia.

A intenção do El Mundo foi clara: mostrar aos espanhóis que o governo de esquerda em Portugal não é exemplo para ninguém. Os textos do dito Sebastião Pereira foram um balão de ensaio para o que aí vem. A coisa pode resumir-se da seguinte maneira: nos dias que correm, Portugal é a maior ameaça à estabilidade de Espanha.

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Ervas rasteiras e prédio alto

Posted by José em 10/06/2017

(Madrid, 2017)

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Jardim do Éden

Posted by José em 29/05/2017

(in Público Magazine, 11 de Outubro de  1992)

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Sombras sobre uma superfície verde

Posted by José em 29/05/2017

(San Bernardo, 2017)

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Velocípede

Posted by José em 28/05/2017

(Madrid, 2017)

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Estilhaços

Posted by José em 27/05/2017

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o Portugalete

Posted by José em 29/04/2017

Em descobrindo o Portugalete, se nos mostrou com huma cara de villãozinho, encarquilhada, muy trefo, tudo penedos escabrosos e montes, sem nenhuma lhaneza, muyta silveyra e a terra partida aos palmos com suas paredinhas, como quem dis: isto he meu, não he teu, não me furtes as minhas uvas.

….

Cheguei, finalmente, a beijar a doce terra de minha amada patria, livre do cativeiro de tanta liberdade, reprezentando-se-me aos olhos com tão fermoza vista que conhecia que nos deu a natureza amor e inclinação á propria terra, donde recebemos o ser e o mantimento, que se foy convertendo nestes corpos e os dos nossos passados nella.

Por isso o amor da patria he como o amor proprio e natural, pois queremos ao que fomos e havemos de ser. Alem disso, a lembrança daquelles primeyros annos da nossa mocidade se reprezenta com a mesma saudade e suavidade de amor como do melhor tempo que tivemos e em que comessamos a gostar da vida, sem o pezadume dos cuidados della.

In Fastigimia, Thomé Pinheiro da Veiga (Turpin)

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Onomatopeia

Posted by José em 25/04/2017

Ilustração Portugueza, nº 255, 9 de janeiro de 1911

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Rosto binário

Posted by José em 24/04/2017

(exterior)

(interior)

Por ter duas caras não quer dizer que uma delas seja máscara.

Nos preâmbulos da lâmpada mágica, os vitrais contavam histórias utilizando a luz como narrador. Foi assim que se começou a rudimentar o estilo indirecto livre.

A realidade só é visível pegando-lhe fogo; aí, as cinzas são a maneira de as imagens se guardarem intactas. A beleza nasce quando a luz e o fogo se separam, quando a luz já não necessita do fogo para iluminar. Os vitrais ardem para dentro, não sendo necessária outra prova para demonstrar a existência de luz interior. Os vitrais são a fonte de iluminação artificial dos templos. O vidro é todo ele feito de oxigénio, o que o torna muito apto para filamento de lâmpadas eléctricas.

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