
Iniciamos com este post a publicação por capítulos do ensaio O Novo Romantismo –Polémica de Arte, Política e Literatura de José Díaz Fernández.
José Díaz Fernández foi um homem do seu tempo. Nasceu em 1898, ano em que Espanha perdeu tudo, Cuba, Porto Rico, Filipinas e um Império, e morreu em 1941, o ano em que a Segunda Guerra Mundial entrava na União Soviética.
Assistiu aos últimos movimentos do colonialismo espanhol como expedicionário do Regimento de Infantaria de Tarragona em Marrocos. Assistiu ao fim da República como deputado e chefe de imprensa da Acção Republicana em Barcelona. Antes, em 1931, ao ser eleito deputado pelo Partido Radical-Socialista, abandona a literatura. Depois, apenas escreveria Octubre Rojo en Asturias. Em 1930 terminava O Novo Romantismo.
Sobre este primeiro fascículo, intitulado, muito sugestivamente, A Moda e o Feminismo, Díaz Fernández sustenta que a política teve e tem muito pouco que ver com a emancipação da mulher. Daí a sua crítica ao feminismo e sufragismo.
1. A Moda e o Feminismo
Sobre isto, uma consideração introdutória amparada em dois factos actuais. Consideração: o machismo é o pior lado do feminismo. Primeiro facto: no princípio de Dezembro de 2009 celebraram-se em Granada as trigésimas Jornadas Feministas Estatais coordenadas pela Federação de Organizações Feministas do Estado Espanhol. Particularidade: proibida a participação de homens. Segundo facto: a direita tabernária espanhola, aquela que mistura a testosterona com o sangue de Cristo transmutado em vaticanesco vinho, converteu em assunto político as calças, o penteado e a maquilhagem da Ministra da Defesa de Espanha, Carme Chacón, na chamada Páscoa Militar, o discurso do Rei às tropas celebrado, com muita propriedade, no dia de Reis. O protocolo da Casa Real recomendava vestido longo para as senhoras, e a ministra, que no ano anterior tinha vestido smoking, este ano vestiu calças.
O Novo Romantismo, como o próprio nome indica, é uma obra demasiado datada, quanto mais não seja porque o seu autor foi um homem do seu tempo. Citando um soneto do próprio, Díaz Fernández tem muito de herói, tem muito de asceta/ como um clássico e nobre cavaleiro espanhol. Um homem íntegro. Mas, antes disso, um humanista. E não há nada pior do que um humanista desarmado: acaba, invariavelmente, por ser vítima da humanidade.