Arquivos para a Categoria ‘Livros’
O episódio cinematográfico
Publicado por José em 21/01/2011
(um conto de Jorge Ibargüengoitia)
O episódio cinematográfico aconteceu há quatro anos. Eu estava nas lonas e a minha relação com Angela Darley tinha entrado num período negro. Uma noite saí de sua casa esquecendo-me, ou melhor, fingindo esquecer-me, da cabeça etrusca que ela me tinha oferecido depois de tantas súplicas da minha parte. Estava furioso porque ela tinha insistido em ler as linhas da mão ao jovem Arroyo e tinha-lhe dito o mesmo que me dissera a mim três anos antes:
- Você é muito atractivo para um certo tipo de pessoas.
Essa noite sonhei com ela, com bigodes e cheirando a enxofre. Perdi-lhe o respeito.
No dia seguinte, dei uma festa e convidei o jovem Arroyo, que me relatou as suas aventuras com Angela Darley. Felizmente não tinham chegado a vias de facto. Ao ver-me insubstituido, fiquei tão contente que bebi mais da conta e acabei às seis da manhã a dançar no Clube Nereidas. Esta foi a abertura do episódio cinematográfico.
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As primeiras páginas de um livro
Publicado por José em 28/05/2010
Diz o Uribe que os peixes e as árvores são parecidos. Parecidos nos anéis. Os anéis que contam a idade no tronco das árvores e os anéis que contam o tempo de fome nas escamas dos peixes. Diz o Uribe: O anel dos peixes cria-o o inverno. O inverno é o tempo durante o qual o peixe come menos, e a fome deixa uma marca escura nas suas escamas porque o seu crescimento é menor durante esta época. Ao contrário que no verão. Quando os peixes não passam fome, não fica nenhuma marca nas suas escamas.
Por isso eu também digo: a idade de um homem não devia medir-se em anos, mas em feridas.
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Gosto muito de futebol e literatura
Publicado por José em 15/04/2010
Roberto Fontanarrosa, escritor, cartoonista e, como dizê-lo?, fiel devoto do Rosário Central. Autor de INSPIRAÇÃO, conto incluído em El mundo ha vivido equivocado.
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A Princesa, os bombons e o concurso de aviões
Publicado por José em 06/10/2009
de Antoniorrobles (1895-1983)

Este é o conto da Princesinha dos Bonecos, que disse que se casaria com o aviador que realizasse a melhor proeza nos aeroplanos de brincar.
O Rei era um boneco rico, com o seu traje a arrastar, de cetim negro, adornado com estrelas douradas.
E como não era só o Rei dos astrónomos, mas de toda a nação, não levava apenas estrelas. Também levava, tudo bordado em ouro:
Foices, porque era o Rei dos agricultores.
Chapéus, porque era o Rei dos chapeleiros.
Frigideiras, porque era o Rei das cozinheiras.
Funis, porque era o Rei dos taberneiros.
Ovelhas, porque era o Rei dos pastores.
Gatos, porque era o Rei dos telhados.
E assim, mil e mil adornos nos seus vestidos.
ler o resto de A Princesa, os bombons e o concurso de aviões (pdf)
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