Hora Peninsular

Arquivos para a Categoria ‘Hora Peninsular’

Um dia de greve

Publicado por José em 29/03/2012

aqui

Publicado em Hora Peninsular | Deixar um Comentário »

Vontade indómita

Publicado por José em 25/03/2012

Nos povos sem cultura estratificada, como o nosso, o que eles fazem de grande é quase sempre contra a sua vontade.

Miguel Torga in Portugal 

Publicado em Hora Peninsular | Deixar um Comentário »

O trabalho do Valdemar

Publicado por José em 25/03/2012

Foto dos fornos de fundição de torneiras publicada em Oliva. Memórias de uma Marca Portuguesa de Paulo Macedo (Tinta da China), um livro que dá uma visão plácida de uma fábrica que, para alguns, foi um inferno.

Publicado em Hora Peninsular | Deixar um Comentário »

As primeiras flores do Inverno

Publicado por José em 04/03/2012

Publicado em Hora Peninsular | Deixar um Comentário »

O falcão das Torres Brancas

Publicado por José em 26/01/2012

Publicado em Hora Peninsular | Deixar um Comentário »

Isto não é a crise da dívida dos países periféricos; isto é a crise da poupança alemã.

Publicado por José em 27/11/2011

Então é o seguinte:

A dívida total alemã, segundo os últimos gráficos consultados na internet por aquele que escreve, é de 176% do Produto Interno Bruto. Este tipo de dívida é o resultado da soma da dívida pública com a dívida privada. Ora, segundo aqueles mesmos gráficos consultados na internet, a dívida pública alemã é de 83% do PIB, o que, aplicando-lhe um tratamento silogístico, concluir-se-ia que a dívida privada alemã é de 93% do PIB, isto é, 10% superior à sua dívida pública.

Para não perdermos as estribeiras numéricas, convém recordar que a dívida total da República Portuguesa é de 251% do PIB, da qual, 106% se corresponde a dívida pública e os restantes 145% a dívida privada. Isto é, a dívida privada portuguesa seria 40% superior à nossa dívida pública.

Em qualquer caso, o exemplo culminante é o do Reino de Espanha. Não só a sua dívida pública é de 67% do PIB, isto é, inferior à alemã e uma das mais baixas da zona euro, como a sua dívida privada é de 217% do PIB, ou seja, muito superior à dívida total alemã e um bocadinho menos do que a dívida total portuguesa. Estes números querem dizer, genericamente, três coisas:

  • Todos os países têm uma dívida privada superior à dívida pública.
  • Isto significa que o pessoal, isto é, o povo, as empresas e os bancos, necessitam de muito mais dinheiro para as suas coisinhas do que o Estado para a Saúde, a Educação e a Justiça.
  • Isto põe em evidência que o que chupa mais dinheiro não é o Estado de bem estar, mas uma sociedade de consumo.

Mas não era precisamente aqui que queria chegar. Continuando com a mesma análise algorítmica, tira-se pela pinta que a Alemanha é o país com a dívida privada mais baixa de entre todos os seus vizinhos. Não é preciso saber muito de economia (coisa que nem os economistas sabem), para se concluir que uns níveis baixos de dívida privada supõem uns níveis elevados de poupança. Numa circunstância como esta a pergunta chave é: onde pára a dívida alemã? A resposta mais lógica seria: nos bancos alemães. E o que fizeram os bancos alemães com essa poupança? Investiram-na na compra de dívida grega, irlandesa, portuguesa, espanhola, italiana e por aí além. Mas não o fizeram por um altruísmo europeísta, ou uma luterana compaixão pela nossa baixa condição de estoira-vergas. Não. Tão-só o fizeram porque a dívida daqueles países oferecia elevadas e, ao mesmo tempo, seguras, rendibilidades. Só assim se justifica que os mui cartesianos, racionais e responsáveis bancos alemães tenham investido em dívida grega a módica quantia de 16 mil milhões de euros, em dívida irlandesa 82 mil milhões de euros, em dívida italiana 120 mil milhões de euros, em dívida espanhola 131 mil milhões de euros e em dívida portuguesa pouco mais de 26 mil milhões de euros. A poupança alemã extravasou os limites do seu país e entrou nos outros em forma de consumo. O que, trocado por miúdos, daria este belo aforismo: foi a poupança alemã que criou a nossa dívida. O problema não está em que tenhamos gasto mais do que devíamos, mas no facto de os alemães terem poupado mais do que lhes podíamos dever. Por isso, o resgate dos países do sul não é senão o resgate da poupança alemã. Quod erat demonstrandum.

Publicado em Hora Peninsular | Deixar um Comentário »

Imobilidade e avistamento

Publicado por José em 13/11/2011

Ao fundo Penedo Durão (Portugal). No meio, Douro Internacional (Portugal/Espanha). Em primeiro plano, foz do Rio Huebra (Espanha). 

Portugal é um lugar onde a sua formação geológica coincide com a sua construção histórica. Eu explico. Portugal é uma rocha sedimentária. Isso é bem evidente na sua distribuição orográfica, na proliferação de promontórios, fragas, falésias, alcantis, penhascos. Daí que o passado e aquela lenga-lenga dos 800 anos de história nos sejam essenciais. Porque, como numa rocha sedimentária, feita da deposição e acumulação de tempos, também em Portugal o passado não é aquilo que passou, mas aquilo que dura. E é daqui que vem a nossa decadência, de uma congénita falta de futuro.

A história tem o seu fundamento naquilo para onde caminha. À história que apenas se preocupa como o passado costuma chamar-se pré-história. E Portugal, mais do que um lugar no passado, é um lugar parado no tempo. Este estancamento foi crescendo em forma de escarpas e penedos. E estes são, precisamente, os melhores sítios para se ver o futuro, um futuro que se vê melhor ao longe do que ao perto. É desta imobilidade rochosa que se avista o longínquo. Não para onde vamos, mas o que está para vir.

Publicado em Hora Peninsular | Deixar um Comentário »

Atira-te ao mar e diz que te empurraram

Publicado por José em 11/11/2011

Um bacano decidiu utilizar uma coisa que é o Google’s Compact Language Detector para fazer uma estatística-mundi das línguas em que se escrevem os tweets. Para a Península Ibérica a coisa saiu assim:

As suposições a tirar disto são as seguintes:

  • o lilás corresponde aos indivíduos-mancha que falam português
  • estamos, definitivamente, à esquerda do mapa
  • no denominado interior de Portugal a malta não escreve tweets
  • no denominado interior de Portugal não há malta com acesso à internet
  • não há malta, de todo, a viver no denominado interior de Portugal
  • parece, assim à primeira vista, que todos estamos prestes a cometer um suicídio colectivo
  • estamos a um passo de atravessar o Atlântico como num dia destes os judeus, guiados pelo Moisés, atravessaram o Mar Vermelho
  • o ordenamento do território português faria mais pela economia do que trabalhar meia horita e quatro feriados mais

Publicado em Hora Peninsular | Deixar um Comentário »

Poesia, tecnologia e política

Publicado por José em 06/11/2011

Vivemos num mundo poético, isto é, num mundo dominado pela tecnologia.

A poesia é tecnologia na medida em que modifica o que está à nossa volta, não mudando o que está dentro de nós. Eu explico. As acções humanas dividem-se em dois grandes conceitos: a”praxis” e a “poiesis”. A primeira muda os sujeitos, a segunda muda os objectos. “Praxis” é aquilo que existe nas relações entre indivíduos. “Poiesis” é aquilo que rege a relação dos indivíduos com a natureza. Por isso, as relações humanas são práticas e as relações dos homens com a natureza são poéticas. O problema é que, com o desaparecimento da natureza, e a sua substituição pela natureza humana, as acções poéticas, isto é, tecnológicas, passaram a regular as acções entre os indivíduos. A “poiesis” foi ocupando o lugar da “praxis”. Esta substituição reflecte-se na decadência da política. Se a tecnologia, enquanto poética, se destina a transformar o mundo num lugar melhor, a ética e a política, enquanto “praxis”, têm como objectivo tornar os indivíduos melhores. A decadência da política é bem evidente no facto socialmente demonstrável de que nos estamos convertendo em indivíduos cada vez piores. Isto deve-se a que o processo de renovação da democracia, digo, da política, se esteja realizando através de meios apolíticos, ou seja, poéticos, como a economia ou a tecnologia. Assim, é normal que vivamos numa sociedade com excesso de tecnologia, isto é, de poesia, e, proporcionalmente, de falta de ética e de política.

Se os legisladores escrevem as leis, são os poetas que escrevem a história. Sendo mais rigorosos, um poema, como qualquer obra de arte, é um pedaço de história que ainda não aconteceu. Por isso, as epopeias, os gestos heróicos, as guerras, são mais belamente obras dos poetas do que dos guerreiros. Este é o poder profético da poesia: as mudanças históricas são postas em prática pelos artistas antes de que pelos políticos. A isto, a mudar o mundo, costuma chamar-se poesia.

O pessoal diz para aí que as grandes discussões, conversas e insultos são todos de cariz económico, esquecendo-se que a luta política sempre foi isso, guerra económica. Desde as revoluções liberais inglesas do século XVIII à revolução francesa. Digamos que a economia sempre foi o propósito sorrelfo da política. Daí, também, o nascimento desse enxerto que dá pelo nome de economia política. Que é um paradoxo e um equívoco, na medida em que mistura uma técnica (a economia) com uma ética (a política). Porque uma técnica é aquilo que transforma tudo em realidade. E uma ética é aquilo que impede que certas coisas se tornem realidade.

A expansão tecnológica foi tão rápida nos últimos 50 anos que a humanidade ainda não teve tempo de adaptar-se às novas condições de vida. A próxima etapa evolutiva da condição humana é, portanto, evidente e muito simples: ter mais tempo. Tempo que nos rouba a economia (dizendo que tempo é dinheiro), e que amanhã nos devolverá a política (quando suprimir semelhante taxa de cambio).

Publicado em Hora Peninsular | Deixar um Comentário »

Um problema de crescimento

Publicado por José em 01/11/2011

O conceito de crescimento substituiu a ideia de progresso como vector estruturante da sociedade. E se o progresso estava associado a uma finalidade, o conceito de crescimento apenas pode realizar-se na infinidade. Ora, o infinito estava reservado à transcendência, lugar que desaparece com a modernidade. A morte de Deus quer dizer isto por outras palavras. Por isso, quando deixou de existir um lugar fora do mundo destinado à transcendência, o mundo todo tornar-se-ia ele próprio transcendental. Isto implicou um problema: o infinito, que era basicamente inalcançável, passou a estar à mão de semear. Só assim se compreende que a natureza, que antes era limite, tenha passado a ser entendida essencialmente como recurso.

O mundo melhor que procurava o progresso era um lugar concreto, ao contrário do crescimento que pretende alcançar o outro mundo neste. Daí que seja possível formular o seguinte silogismo: se a abundância é o resultado da adequação dos meios aos fins, a escassez é o resultado da aplicação dos meios para atingir o infinito. Na segunda parte da oração está a explicação para a actual crise.

Publicado em Hora Peninsular | Deixar um Comentário »

 
Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.