Hora Peninsular

Arquivo de Setembro, 2010

Por um punhado de terra

Publicado por José em 21/09/2010

A força mais poderosa que oprime um trabalhador é a sua própria força de trabalho. Nas sociedades contemporâneas a distribuição da riqueza realiza-se através da compra e da venda. Daí que a única lei vigente neste tipo de sociedades seja a lei da oferta e da procura, lei que, curiosamente, não foi submetida à votação de nenhum parlamento. Uma lei que explica também as elevadas taxas de desemprego: a força de trabalho é o único produto que um trabalhador tem para vender.

Uma das variáveis mais importantes na composição económica de uma casa, para além da relação flutuante entre a oferta e a procura num momento determinado, é o valor do solo sobre o qual aquela se põe de pé. O que é verdadeiramente objecto de aquisição na transmissão económica de uma casa é o terreno, e não a edificação, produto arquitectónico que não é eterno, que se torna inabitável com o tempo e que, por isso, vai perdendo todo o seu preço.

Antes de pretender um tecto, aquilo que deseja quem compra uma casa é um chão. Através da propriedade de uma casa, o habitante regressa a formas próprias das sociedades agrícolas pré-industriais. A casa é a forma de o operário continuar preso a uma parcela de terra. Este era o sonho da social-democracia proudhoniana que agora atravessa um mau momento: uma sociedade que se transformasse num conjunto de proprietários de casas, que assim seriam livres e independentes.

Segundo Engels, a expulsão do operário da sua casa e do seu lar, tal como teve lugar na Inglaterra do séc. XVIII, foi a primeiríssima condição da sua emancipação espiritual. Daí a evidência: a casa, seja um T-1 ou um chalé, ainda não superou o estado primogénito da cabana e da caverna. O mesmo para quem vive dentro. Comprar uma casa não transforma o habitante em proprietário, antes converte-o num animal doméstico.

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Ele há gajos honestos

Publicado por José em 17/09/2010

One of the dirty secrets of economics is that there is no such thing as “economic theory.” There is simply no set of bedrock principles on which one can base calculations that illuminate real-world economic outcomes. We should bear in mind this constraint on economic knowledge as the global drive for fiscal austerity shifts into top gear.

(J. Bradford DeLong, ex-secretário adjunto do Tesouro dos Estados Unidos da América)

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A carne como propriedade intelectual

Publicado por José em 16/09/2010

Sempre pensei que uma receita de cozinha fosse coisa mais de copyleft que de copyright. Isto é, algo em que se pudesse meter o bedelho, antes de, finalmente, se meter o dente. Com a Posta dos Pobres© é preciso pedir licença. É a Marca Nacional nº 364310, segundo a numeração árabe do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Pela Classificação de Nice pertence à classe 29, comida confeccionada à base de carne, coisa que, vista de que prisma for, é uma obviedade. Registou-a um restaurante de Mêda. Sendo uma comida de marca, isso torna-a muito susceptível à cópia. Por ser de porco, é natural que a sua contrafacção mais simples seja o hambúrguer©, em si mesmo outra marca por natureza.

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Nobreza

Publicado por José em 14/09/2010

Brasão do Futebol Clube do Porto na esplanada do Xico’s Bar de Barca d’Alba e brasão da família Meneses Coutinho no Solar do Marquês de Marialva.

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Touriga Nacional fresquinha

Publicado por José em 10/09/2010

A Touriga Nacional é como o país que lhe dá raiz. Pequena nas bagas, mas volumosa na boca. Capaz de vinhos estruturados, mas propícia ao desavinho. Casta fértil, mas, demasiadas vezes, pouco produtiva. O seu carácter vigoroso e retumbante dificulta o arejamento da flor, mas depois da frutificação é a mais idónea para longos processos de maceração. É uma uva para toda a vida. Apesar de resistente às pragas e doenças, tudo depende da forma como é conduzida. Não sendo uma uva de mesa, compensa tão desatinada carência aparecendo em forma de vinho de mesa. Para que da mais torrencial bebedeira emane, não as dores de cabeça de Dionísio, mas as florações do rosmaninho.

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